Em setembro de 2025, a empresa Spencer Stuart publicou uma nova edição de sua pesquisa “Director Pulse Survey”, voltada a entender como conselhos de administração públicos e privados nos Estados Unidos estão se preparando para (e respondendo a) campanhas de ativismo acionista. O levantamento ouviu mais de 360 conselheiros de empresas públicas e privadas.
Confira a seguir os principais achados e implicações no contexto de governança corporativa, cultura institucional e relações com investidores.
1. Alto nível de engajamento com ativistas
- 53% dos conselheiros (geral) afirmaram ter participado de um conselho que foi abordado por um investidor ativista; entre os conselhos de empresas públicas esse percentual sobe para 65%.
- Quando isso ocorre, 91% dos conselheiros de empresas públicas relataram que o conselho se engajou com o investidor ativista.
- Dos casos, 44% dos conselhos públicos adicionaram conselheiros recomendados pelo ativista, e 40% chegaram a um acordo com o ativista.
- Além disso, há forte uso de assessores externos: 86% dos conselheiros públicos disseram que o conselho contratou banco de investimento ou assessor financeiro (um aumento de 22 pontos em relação a 2023) e 81% recorreram a escritórios de advocacia.
2. Preparação para o cenário de ativismo
- 65% dos conselheiros de empresas públicas consideram que seus conselhos estão preparados para situações de ativismo; apenas 7% dizem que estão vulneráveis.
- Quanto às ações preparatórias mais comuns:
- 63% identificaram assessores para possível cenário de ativismo.
- 62% afirmaram ter reforçado práticas de engajamento com acionistas.
- Um detalhe de atenção: a proporção de conselheiros públicos que disseram realizar simulações de cenário de ativismo caiu de 55% em 2023 para 43% em 2025.
- Além disso, apenas 30% disseram ter feito um upgrade nas avaliações de desempenho do conselho, contra 46% em 2023.
3. Interesse em participar de listas ativistas, mas pouca abordagem
- Quase metade (49%) dos conselheiros disseram que estariam dispostos a participar de uma lista de candidatos ao conselho sugerida por um investidor ativista.
- Mas apenas 20% dos conselheiros (públicos e privados) afirmaram ter sido contactados por um ativista para participar dessa lista. Desses, menos de 1 em 4 (18%) efetivamente ingressou no conselho da empresa, na maioria das vezes via acordo (77% dos casos).
- Conselheiros de empresas privadas, apesar de terem sido menos abordados (10% vs. 24% de empresas públicas), demonstraram maior interesse: 58% dos privados disseram que considerariam participar de uma lista ativista, contra 44% dos diretores de empresas públicas.
4. Por que um conselheiro aceitaria ou recusaria uma proposta de ativista?
- Os fatores que mais influenciam positivamente a decisão de um conselheiro para integrar uma lista ativista: ter confiança na estratégia do ativista para a empresa (91%) e a oportunidade de promover uma mudança significativa (81%).
- Outros fatores de peso: plano claro de criação de valor (81%), abordagem construtiva/colaborativa do ativista (68%), justificativa clara para renovação do conselho (61%).
- Por outro lado, os principais motivos para recusar: discordância com a abordagem do ativista (57%) e preocupação com reputação (56%). Conselheiros de empresas públicas manifestaram mais preocupação com reputação (60%) do que os de empresas privadas (43%).