Decidir além dos dados: liderança em tempos de IA

Sócio da Deloitte, patrocinadora ouro do 27º Congresso IBGC, reflete sobre o que permanece humano em tempos de IA

  • 02/10/2026
  • Alex Borges
  • Bate-papo

A inteligência artificial já participa de processos que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente da análise humana. Mas, à medida que dados e tecnologia ganham espaço nas organizações, uma questão permanece: o que cabe às pessoas decidir? 

Para Alex Borges, sócio-líder para a indústria de Government & Public Services, do Boardroom Program e de soluções de Governança, Riscos e Compliance (GR&C) da Deloitte Brasil, o avanço tecnológico não reduz a importância da liderança; ele torna seu papel ainda mais estratégico. Em entrevista ao Blog IBGC, ele fala sobre julgamento, ética e confiança nas decisões e sobre como a governança pode ajudar as organizações a inovar sem perder de vista seus princípios e objetivos. 

BLOG IBGC: O tema do 27º Congresso IBGC é "O ser humano na liderança da transformação". Na sua visão, qual é o maior desafio das lideranças para equilibrar tecnologia, inovação e o fator humano nas decisões? 

Alex Borges: O maior desafio é não confundir avanço tecnológico com transformação real. Muitas vezes, as organizações adotam novas ferramentas, mas mantêm a mesma cultura, os mesmos comportamentos e a mesma forma de decidir. 

Tecnologia e dados ajudam a enxergar caminhos, mas não eliminam a responsabilidade da liderança. Decisões relevantes continuam exigindo coragem, escuta ativa, ética e capacidade de lidar com ambiguidades. 

Para mim, equilibrar tecnologia, inovação e o fator humano significa usar a tecnologia para ampliar o potencial das pessoas, e não para afastá-las das decisões. No fim, a transformação só acontece quando as pessoas entendem o propósito, confiam na liderança e se reconhecem como parte da mudança. 

Estamos vendo que decisões são cada vez mais orientadas por dados e inteligência artificial. O que continua sendo insubstituível na liderança humana na sua avaliação e que se conecta ao trabalho na sua organização hoje? 

O que considero insubstituível na liderança humana é o julgamento. Dados e IA ajudam a entender o que está acontecendo e até sugerem caminhos, mas não substituem a capacidade de interpretar contextos, lidar com dilemas éticos, gerar confiança e mobilizar pessoas. Na prática, o papel da liderança é transformar informação em propósito e ação, mantendo o fator humano no centro das decisões. 

Que práticas de governança você considera essenciais para que as organizações consigam se transformar sem perder consistência nas decisões?

Considero essenciais três pilares de governança: clareza de propósito, transparência no processo decisório e disciplina na gestão dos riscos. Em um ambiente de transformação, a governança deve criar condições para que a organização inove com agilidade, sem perder coerência com seus valores e objetivos estratégicos. Dados e tecnologia apoiam esse processo, mas a consistência das decisões continua dependendo de liderança, accountability e capacidade de ouvir diferentes perspectivas. 

Que tipo de debate considera indispensável para quem atua com governança hoje? 

O debate que considero indispensável é como equilibrar velocidade de transformação e qualidade das decisões. A tecnologia amplia capacidades e acelera processos, mas a governança precisa garantir que princípios como ética, transparência, accountability e confiança continuem orientando as escolhas da organização. O grande desafio não é apenas inovar, mas inovar de forma responsável e sustentável. 

*Este texto foi produzido pela Deloitte, patrocinadora ouro do 27° Congresso IBGC. Seu conteúdo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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