Em meio às transformações aceleradas que atravessam os negócios e reconfiguram a forma como organizações tomam decisões, a liderança humana ganha ainda mais relevância.
Para Edson Queiroz Neto, presidente do Grupo Edson Queiroz, patrocinador Ouro do 27º Congresso IBGC, tecnologia e inovação são fundamentais para a competitividade, mas devem estar a serviço de um propósito claro, sustentado por valores, consistência e capacidade de adaptação.
Nesta entrevista ao Blog IBGC, ele reflete sobre o papel das lideranças diante dos avanços da inteligência artificial, os desafios da governança em contextos de mudança e a importância de preservar a essência organizacional sem abrir mão da evolução.
BLOG IBGC: O tema do 27º Congresso IBGC é "O ser humano na liderança da transformação". Na sua visão, qual é o maior desafio das lideranças para equilibrar tecnologia, inovação e o fator humano nas decisões?
Edson Queiroz Neto: Acredito que o principal desafio das lideranças hoje é conseguir avançar na velocidade que a transformação exige sem perder aquilo que é essencialmente humano: a criatividade, a empatia e a adaptabilidade.
A tecnologia e a inovação são fundamentais para a competitividade e o progresso dos negócios. Mas elas precisam estar a serviço de um objetivo e de um propósito.
Por isso, vejo o papel de líderes sendo mais importante com o passar do tempo. Quanto mais tecnologia temos, maior precisa ser a nossa capacidade de realizar boas decisões, considerando diferentes cenários para um ambiente saudável e construtivo.
No Grupo Edson Queiroz (GEQ), há 75 anos, sabemos que longevidade significa transformação. A adaptação é essencial para a perenidade, e essa continuidade passa por novas formas de realização, preservando nossos princípios e valores.
Para mim, esse é o equilíbrio: ter coragem para evoluir e humanidade para se conduzir.
A tecnologia pode acelerar a transformação, mas são as pessoas que dão sentido.
Estamos vendo que decisões são cada vez mais orientadas por dados e inteligência artificial. O que continua sendo insubstituível na liderança humana na sua avaliação e que se conecta ao trabalho na sua organização hoje?
Os dados e a inteligência artificial, são insumo e ferramenta, que ampliam, de forma extraordinária, nossa capacidade de criar cenários e realizar decisões. Mas acredito que eles não substituem aquilo que está na essência da liderança: motivar pessoas pelo exemplo e construir ambientes de confiança.
No GEQ, cremos que a “palavra é sagrada”. Por isso contratamos primeiro o ser humano e depois o técnico pois, o técnico podemos formar e o ser humano já vem educado.
Que práticas de governança você considera essenciais para que as organizações consigam se transformar sem perder consistência nas decisões?
Penso que a transformação e a consistência nas decisões devam ser coerentes. A transformação deve buscar uma condição que torne o processo decisório mais pragmático e eficaz.
Nossa governança permite à organização evoluir sem perder identidade e capacidade de tomar decisões coerentes.
Acredito que três práticas são fundamentais. A primeira, é garantir clareza sobre fundamentos e critérios de decisão. Conjuntura muda, ajustamos estratégias e seus desdobramentos, mas é importante que a organização conheça os princípios e valores para a definição dos objetivos e estruturação do sistema de gestão. A segunda, é ter uma visão de longo prazo e objetivos claros, desdobrados para a estrutura. O GEQ é formado por 8.500 profissionais que entregam nossos produtos e serviços diariamente, com essa organização garantimos autonomia e alinhamento no funcionamento. A terceira, é ter políticas e código de conduta que assegura o comportamento desejado e decisões coerentes aos princípios e valores.
Que tipo de debate considera indispensável para quem atua com governança hoje?
Penso ser indispensável debatermos o governar com dever, clareza, diligência, lealdade, e perenidade de forma permitir adaptação ágil às mudanças de comportamento humano e de avanços tecnológicos que estamos presenciando.
Outro debate fundamental é sobre pessoas e liderança. Em um ambiente de transformação acelerada, como desenvolver líderes capazes de tomar decisões em cenários de incerteza, questionar paradigmas e, ao mesmo tempo, preservar os valores que dão identidade à organização.
Também considero indispensável discutir sucessão, sustentabilidade e geração de valor no longo prazo. Um Conselho não pode olhar apenas para o resultado do próximo trimestre. Seu papel é ajudar a garantir que a organização continue relevante, saudável e capaz de se renovar no tempo.
No Grupo Edson Queiroz, completar 75 anos nos coloca diante de uma pergunta muito concreta: o que precisamos preservar para continuar sendo quem somos e o que precisamos adaptar para continuar sendo relevantes?
*Este texto foi produzido pelo Grupo Edson Queiroz, patrocinador ouro do 27° Congresso IBGC. Seu conteúdo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.