Tecnologia deve ampliar o potencial humano, diz Gustavo Pacheco

Chief of Staff do Google Cloud América Latina, patrocinador ouro do Congresso IBGC, fala sobre IA, liderança e governança

  • 08/09/2026
  • Gustavo Pacheco
  • Bate-papo

À medida que a inteligência artificial avança da experimentação para a execução e assume tarefas cada vez mais complexas, Gustavo Pacheco defende que o maior desafio das lideranças é garantir que a tecnologia amplie, e não substitua, o potencial humano. O Chief of Staff do Google Cloud América Latina, patrocinador ouro do 27º Congresso IBGC, compartilhou com o Blog IBGC sua visão sobre confiança, capacitação, liderança humanizada e o papel da governança para que a inovação ocorra com segurança, responsabilidade e consistência nas decisões. 

BLOG IBGC: O tema do 27º Congresso IBGC é "O ser humano na liderança da transformação". Na sua visão, qual é o maior desafio das lideranças para equilibrar tecnologia, inovação e o fator humano nas decisões? 

Gustavo Pacheco: O maior desafio das lideranças, hoje, é gerenciar a transição cultural e o receio da substituição tecnológica pelas equipes, capacitando os profissionais para operarem em perfeita sintonia com a inovação. À medida que entramos na "Era Agêntica", as empresas passam rapidamente da fase de experimentação para a execução, com a inteligência artificial assumindo tarefas inteiras e rotinas operacionais complexas.  

Diante disso, o papel do líder não é usar a IA de forma isolada, mas, em primeiro lugar, gerar ‘confiança’ na organização que estas transformações vêm para empoderar os colaboradores, com enormes ganhos possíveis de eficiência, criatividade e inovação. Em seguida, é papel da liderança garantir a visão sistêmica do tema, com o redesenho dos processos e possivelmente áreas, promovendo a capacitação contínua (upskilling). O segredo está em posicionar a tecnologia estritamente como um copiloto do raciocínio humano, que assume a carga burocrática invisível para liberar o profissional. Isso permite que o talento humano suba na cadeia de valor, focando no julgamento crítico, em decisões estratégicas e na empatia. 

Estamos vendo que decisões são cada vez mais orientadas por dados e inteligência artificial. O que continua sendo insubstituível na liderança humana na sua avaliação e que se conecta ao trabalho na sua organização hoje? 

Embora a IA possa orquestrar de forma autônoma tarefas complexas de múltiplas etapas, a liderança humana continua sendo insubstituível na inteligência emocional, relacional, intuitiva e humana. Ela deve vir também com a autenticidade, empatia, julgamento crítico e visão estratégica, o que nos torna absolutamente insubstituíveis. E essa mesma liderança humanizada é o que nos faz capazes de orientar decisões em cenários imprevisíveis e de alta ambiguidade - contexto hoje da maior parte das indústrias e geografias.  

Ainda sobre o tema da autenticidade, acredito que no dinâmico setor de tecnologia isso significa proporcionar ambientes de alta segurança psicológica, nos quais também temos a responsabilidade de garantir suporte executivo e lugar de fala para que mais mulheres e grupos sub-representados ocupem espaços de decisão. E, claro, a liderança deve ser ousada para inovar, mas rigorosamente responsável pelas consequências dessa inovação na sociedade. 

Que práticas de governança você considera essenciais para que as organizações consigam se transformar sem perder consistência nas decisões? 

Para que as organizações passem por transformações profundas sem perder a consistência operacional e de tomada de decisão, três práticas de governança são fundamentais: 

1) Orquestração e Combate ao "Shadow AI": É essencial estabelecer diretrizes corporativas claras para registrar, gerenciar e auditar o uso de IA. As implementações devem focar no mapeamento de dores reais de negócio (evitando o "uso pela tecnologia em si") e conectar cada projeto a métricas financeiras unificadas no balanço consolidado da empresa. 

2) Segurança e Rastreabilidade desde o Design (Secure-by-Design): É indispensável o uso de arquiteturas de segurança ativas. Práticas como a atribuição de uma Identidade de Agente única para cada IA asseguram que suas ações sejam estritamente governadas pelas políticas internas, além de serem 100% rastreáveis e auditáveis. 

3) Soberania e Privacidade dos Dados: Privacidade e segurança são duas faces da mesma moeda. O princípio inegociável de que os dados do cliente pertencem exclusivamente a ele deve ser garantido por ferramentas de Soberania Digital, controle de chaves de criptografia e o uso de nuvens isoladas (air-gapped) no próprio data center se necessário. 

A governança sólida não é um freio burocrático, mas a base de confiança para retornos sustentáveis. 

Que tipo de debate considera indispensável para quem atua com governança hoje? 

Os profissionais que atuam na área de governança devem liderar ativamente alguns debates de mercado. O primeiro deles é a regulação da IA. Precisamos debater marcos regulatórios que protejam a sociedade e promovam a ética, sem engessar a pesquisa científica e a inovação tecnológica. Devemos debater também o uso de arquiteturas abertas e multi-cloud que impeçam o aprisionamento tecnológico. A soberania exige flexibilidade, portanto, é preciso garantir a liberdade de escolha das melhores soluções e o controle total do futuro digital do negócio. 

Além disso, nenhum ecossistema de dados ou infraestrutura digital se sustenta sem um capital humano preparado. É o que mostra o relatório da Brasscom, que aponta que computação em nuvem, cibersegurança e IA são, respectivamente, as três maiores prioridades de hard skills para as empresas que compõem o ecossistema de tecnologia e comunicação no mercado brasileiro. E, para ajudar a reverter esse cenário, este ano o Google Cloud triplicou a meta de 1 milhão para 3 milhões de brasileiros que serão capacitados em IA e nuvem nos próximos anos. Dentro desse compromisso está o Capacita+, que neste ano visa treinar 200 mil pessoas apenas no Brasil. 

*Este texto foi produzido pelo Google Cloud, patrocinador ouro do 27° Congresso IBGC. Seu conteúdo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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