Cultura protege a perenidade da organização, defende Marina Quental

Conselheira da Rumo S.A. conversou com o Blog IBGC sobre o tema e seus desafios nas organizações

  • 02/06/2026
  • Victoria Andrade
  • Bate-papo

A cultura organizacional é um diferencial competitivo quando bem definido dentro de uma organização, influenciando comportamentos, decisões e resultados. Mais do que valores formais, ela se revela na prática cotidiana e no alinhamento entre liderança e estratégia.

Para falar sobre o tema, o Blog IBGC conversou com Marina Quental, conselheira de administração da Rumo S.A., que compartilhou reflexões sobre a construção de culturas fortes, coerência organizacional e boas práticas desse ativo. Confira a seguir.

BLOG IBGC: De que forma lideranças e conselhos podem atuar como exemplos para fortalecer uma cultura baseada em pilares como ética e transparência?

Marina Quental: Em primeiro lugar, agindo de acordo com o que se prega na organização. São várias oportunidades que devemos estar atentos e nos perguntar: "o que estou aprovando está de acordo com a cultura desejada?", seja diante de escolhas e decisões como nas atitudes que são percebidas por todos. Trazer exemplos concretos da “cultura em ação” na sua comunicação, criando legitimidade e exemplo.

Explicitar intencionalmente o que não é tolerado e o porquê dará clareza e direção (reduzir o foco em segurança das pessoas e privilegiar desempenho versus alinhamento aos valores, por exemplo).

Na sua opinião, quais sinais indicam que existe um desalinhamento entre a cultura vivida no dia a dia e os princípios de governança estabelecidos pela organização?

São vários sinais que merecem atenção, então devemos criar oportunidades para que venham à tona. Como exemplos, criar a prática de rodas de conversas com colaboradores sempre que em visita a uma operação ou aos escritórios e sem a presença dos gerentes diretos. Outro momento é quando líderes participam de apresentações ou debates no conselho - buscar entender as razões que levaram a uma determinada proposta e como se deu na companhia o processo de construção dela. O ciclo de planejamento é um desses momentos perfeitos, onde a consistência fica muito visível a partir de perguntas simples dos membros do conselho.

Quais boas práticas você considera mais eficazes para transformar a cultura organizacional em um verdadeiro ativo estratégico da governança?

Acredito que a cultura é um ativo intangível que protege a perenidade de uma organização. Para que se torne forte, resiliente e adaptável às mudanças necessárias ao negócio ao longo do tempo, me parece que colocar o tema como parte central da estratégia da organização é fundamental.

Isso implica na consciência de que cultura deve ser gerenciada e para tal tem que estar presente e permear os processos organizacionais (ciclo de orçamento, por exemplo), nos símbolos e nos rituais sendo sempre monitorada pelo conselho. 

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