Segundo a cartilha
“Caminhos para a Inclusão: Construindo um Ambiente Equitativo e Diverso”, ações que promovem Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) constituem um “imperativo ético, representam energia para a inovação, impulsionando resultados sustentáveis no relacionamento com as partes interessadas e na geração de valor para os negócios no longo prazo”. Nos últimos dez anos, as buscas on-line por “Diversidade nas empresas” têm crescido exponencialmente, segundo o Google Trends — o que demonstra a crescente importância e presença do tema nas organizações.
Para discutir sobre a temática, Reinaldo Bulgarelli, sócio-diretor da Txai Consultoria e Educação, conversou com o Blog IBGC. Confira.
BLOG IBGC: Quais são os principais desafios para promover a diversidade nos conselhos de administração, especialmente em organizações que ainda não têm essa pauta estruturada?
Reinaldo Bulgarelli: Todos os conselhos compartilham do mesmo desafio porque as organizações não foram pensadas para a diversidade. É um tema que propõe uma transformação na maneira de ser, de fazer e de se relacionar considerando as pessoas em sua pluralidade de características, histórias de vida, perspectivas.
Para os conselhos, é uma tarefa nobre contribuir para que a organização considere a diversidade como riqueza, enfrentando a indiferença às pessoas. Valorizar a diversidade é valorizar as pessoas e pensar a organização, processos, políticas, procedimentos, produtos, serviços e atendimento, considerando essa riqueza da diversidade humana.
Na sua visão, quais práticas concretas os conselhos podem adotar para garantir que a equidade e a inclusão não fiquem apenas no discurso, mas se traduzam em ações efetivas?
O que tem se repetido ao longo dos anos nas experiências bem-sucedidas é a implantação de um sistema de governança, já que é um tema de transformação organizacional. Assim, contribuir para que a empresa possua um comitê com representantes de diferentes áreas é a melhor prática.
Aprendi que há duas questões importantes para o comitê responder: o que podemos fazer pela valorização da diversidade e o que a valorização da diversidade pode fazer por nós, pelas pessoas da organização, pelo seu propósito, pelas diferentes áreas que representamos. Essas questões são importantes também para o conselho de administração. O gosto pela diversidade faz necessariamente agir em busca dessas respostas, enfrentando conceitos e ideologias que nos afastam de soluções efetivas.
Que papel a liderança dos conselhos exerce na promoção de ambientes mais inclusivos e na transformação da cultura organizacional como um todo?
Diversidade é um tema desafiador porque há elementos na nossa cultura brasileira que afastam as organizações de segmentos inteiros da população. Assim, a liderança dos conselhos precisa acreditar na sua gente e se tornar parceira do processo de engajamento no tema, na definição de um posicionamento que oriente as práticas e que acompanhe os dados e resultados.
É mais do que apenas cobrar por dados que demonstrem efetividade nas transformações da demografia interna e da cultura. Trata-se de uma parceria que vivencie a colaboração como meio e fim, no sentido maior do investimento em diversidade, equidade e inclusão.
Cabe lembrar que diversidade ou demografia com pluralidade de características confere legitimidade às organizações. Um conselho composto com pobreza de características dos seus membros irá enfrentar uma dificuldade maior para entender e praticar a valorização, promoção e gestão da diversidade.