Transformação gera valor quando amplia oportunidades e reduz barreiras

Para diretor da CAIXA, patrocinadora ouro do 27º Congresso IBGC, eficiência e humanização devem avançar juntas

  • 30/09/2026
  • Tiago Cordeiro de Oliveira
  • Bate-papo

A tecnologia amplia possibilidades, mas é a liderança humana que define o sentido da transformação. Para Tiago Cordeiro de Oliveira, diretor Executivo de Governança e Estratégia da CAIXA, patrocinadora ouro do 27º, escuta, discernimento ético, empatia e responsabilidade são atributos insubstituíveis para conciliar inovação, inclusão e geração de valor. Nesta entrevista ao Blog IBGC, ele aborda práticas de governança capazes de orientar mudanças com consistência, aproximar a estratégia da experiência dos públicos e fortalecer a confiança nas organizações.


BLOG IBGC: O tema do 27º Congresso IBGC é "O ser humano na liderança da transformação". Na sua visão, qual é o maior desafio das lideranças para equilibrar tecnologia, inovação e o fator humano nas decisões?

Tiago Cordeiro de Oliveira: O maior desafio é assegurar que tecnologia e inovação permaneçam a serviço das pessoas e contribuam para decisões mais qualificadas, inclusivas e responsáveis. Dados e inteligência artificial ampliam escala, agilidade e precisão, mas não substituem a capacidade da liderança de interpretar contextos, ponderar consequências e fazer escolhas coerentes com o propósito institucional. Na CAIXA, esse equilíbrio é especialmente relevante pela diversidade dos públicos atendidos e pelas diferentes condições de acesso aos serviços financeiros e digitais. A transformação só gera valor quando melhora a experiência, amplia oportunidades e reduz barreiras. Isso exige combinar inovação com escuta ativa, acessibilidade, segurança, transparência e uso ético dos dados. Também requer avaliar não apenas ganhos de eficiência, mas os efeitos das decisões sobre clientes, empregados e sociedade. Cabe à liderança definir limites, formular as perguntas certas e garantir que a tecnologia apoie e não determine de forma isolada o processo decisório. É essa atuação que conecta a modernização dos processos à realidade das pessoas. A tecnologia amplia capacidades; a liderança humana assegura sentido, responsabilidade e confiança. O equilíbrio está em fazer com que eficiência e humanização avancem juntas, transformando o propósito da CAIXA em experiências concretas de acesso, inclusão e geração de valor para os brasileiros.


Estamos vendo que decisões são cada vez mais orientadas por dados e inteligência artificial. O que continua sendo insubstituível na liderança humana na sua avaliação e que se conecta ao trabalho na sua organização hoje?  

Permanecem insubstituíveis a escuta, o discernimento ético, a empatia e a responsabilidade pelas consequências das decisões. Dados e inteligência artificial qualificam análises, identificam padrões e apoiam escolhas, mas não traduzem integralmente contextos, desigualdades, expectativas e necessidades humanas. À liderança cabe atribuir sentido às informações, reconhecer aquilo que os indicadores não revelam e equilibrar eficiência, riscos e impactos sobre clientes, empregados e sociedade. Essa capacidade também envolve dialogar, construir confiança, lidar com ambiguidades e assumir responsabilidade pelas escolhas realizadas. Na CAIXA, a dimensão humana se materializa quando a experiência dos clientes influencia a estratégia e a tomada de decisão, por meio dos Conselhos de Clientes, da Ouvidoria, das pesquisas de satisfação e de outros mecanismos de escuta. Ela também se expressa na presença territorial, na acessibilidade e na integração entre canais, que permitem compreender diferentes realidades e responder a elas de forma mais próxima. Em uma organização que atende milhões de pessoas, escala e proximidade não são objetivos opostos: o alcance é coletivo, mas a confiança continua sendo construída em cada interação. A tecnologia pode indicar caminhos e ampliar capacidades; somente a liderança humana consegue transformar informação em decisões responsáveis, conectar estratégia ao propósito e assegurar que cada pessoa seja considerada na transformação.


Que práticas de governança você considera essenciais para que as organizações consigam se transformar sem perder consistência nas decisões?

São essenciais práticas que combinem direção estratégica, clareza decisória, gestão integrada de riscos, transparência, prestação de contas e escuta permanente dos públicos de interesse. A governança deve estabelecer responsabilidades, critérios, limites e instâncias de decisão que permitam inovar com agilidade e autonomia, sem perder coerência com o propósito, a estratégia e o interesse da sociedade. A gestão de riscos precisa estar presente desde a concepção das iniciativas, não apenas como controle posterior, mas como instrumento para antecipar impactos, avaliar alternativas e viabilizar escolhas responsáveis. Também é fundamental incorporar a experiência do cliente às decisões da alta administração, com informações qualificadas, indicadores de desempenho, percepção e impacto social, além de mecanismos contínuos de escuta. Na CAIXA, os Conselhos de Clientes, a Ouvidoria, as pesquisas de satisfação, a presença territorial e a integração entre canais presenciais e digitais aproximam a governança da realidade dos brasileiros. A consistência também depende de monitoramento, revisão periódica das decisões e transparência sobre fundamentos, objetivos e resultados. Dessa forma, a organização aprende, corrige rotas e responde às mudanças sem comprometer sua identidade institucional. Uma governança efetiva não impede a transformação: cria as condições para que ela ocorra com segurança, inclusão e geração de valor sustentável, convertendo propósito em experiências concretas para clientes e sociedade.


Que tipo de debate considera indispensável para quem atua com governança hoje?

O debate indispensável é como a governança pode transformar propósito institucional em experiência real e valor sustentável para as pessoas. Conformidade, controles e prestação de contas permanecem fundamentais, mas já não são suficientes diante da velocidade das mudanças tecnológicas, regulatórias, sociais e ambientais. A governança precisa qualificar o processo decisório, integrar estratégia e riscos e criar condições para que a inovação avance com responsabilidade. Isso inclui discutir o uso ético e transparente da inteligência artificial, a proteção e a qualidade dos dados, a inclusão financeira e digital, a acessibilidade e a integração entre canais presenciais e remotos. O ponto central é assegurar que a transformação amplie oportunidades, em vez de criar novas barreiras. Também é necessário debater como a experiência do cliente pode influenciar efetivamente as decisões da alta administração e como preservar proximidade e confiança em organizações de grande escala. Nas empresas públicas, há uma dimensão adicional: conectar a atuação empresarial à execução de políticas públicas e à geração de valor para a sociedade, com objetivos claros, responsabilidades definidas, indicadores consistentes e resultados transparentes. Para a CAIXA, governança significa alinhar sustentabilidade empresarial, impacto social e experiência humana. Mais do que acompanhar mudanças, ela deve orientar escolhas que convertam estratégia e propósito em acesso, dignidade, inclusão e oportunidades, fortalecendo a confiança e a legitimidade institucional.


*Este texto foi produzido pela CAIXA, patrocinadora ouro do 27° Congresso IBGC. Seu conteúdo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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