Lançada em novembro de 2024, a Red de Gobierno Corporativo em Latinoamérica y el Caribe (ReGCLAC) é uma rede de organizações que promovem governança corporativa e educação para membros de conselhos de administração e demais agentes de governança corporativa em países da América Latina e do Caribe.
Confira os objetivos da rede:
• Fomentar o desenvolvimento das organizações, o controle de gestão e a transparência, promovendo um crescimento sustentável das organizações econômicas e sociais da região da América Latina e do Caribe, por meio da promoção de padrões de governança corporativa na região;
• Fortalecer o conhecimento, a independência e a legitimidade dos institutos nacionais de governança corporativa, dos institutos de conselheiros e dos centros de pensamento em nível local;
• Ampliar a voz da América Latina e do Caribe em fóruns internacionais e globais;
Em conversa com o Blog IBGC, Danilo Gregório, gerente de conhecimento e relações institucionais no instituto, trouxe mais informações sobre princípios e ações da rede para 2026. Confira.
De que forma a rede desenvolve e promove os princípios e práticas de governança corporativa na América Latina?
Hoje a rede está ainda numa fase muito inicial. Os próprios membros fazem isso em nível local. O IBGC está fazendo esse trabalho aqui no Brasil, o Instituto da Costa Rica e o Instituto do Panamá estão fazendo isso em seus países, e é dessa forma que eles atuam em nível local.
O que tentamos fazer hoje é construir um caminho comum para que atuemos como rede de fato. Hoje estamos numa fase mais de discussão e planejamento para que tenhamos projetos em comum. Temos feito apoios específicos a determinadas pesquisas e publicações que são de interesse comum, produzidas por algum instituto e que podem contar com o apoio dessas outras organizações que fazem parte da rede.
Temos mantido também alguns encontros para discussão de temas de governança corporativa que estão em publicações do IBGC. Nós somos o instituto mais antigo entre os que compõem a rede, temos uma produção de conteúdo, pesquisas, publicações, eventos, etc, muito vasta. Então, hoje, o IBGC também compartilha muito do conhecimento produzido com as demais organizações nas reuniões da rede, já que é de interesse comum saber o que está sendo discutido aqui no Brasil.
Tendo em vista que a iniciativa busca promover padrões de governança corporativa na América Latina, quais os principais desafios relacionados ao desenvolvimento organizacional sustentável na região?
Lidar com culturas e realidades diferentes e conseguir encontrar o padrão mínimo necessário para todos esses países.
No Brasil nós temos as nossas dificuldades já conhecidas, que são características de um país em desenvolvimento. Ainda temos uma economia bastante volátil, crises ocorrem com frequência, temos mais dificuldades nas instituições públicas com os desafios de controle, fiscalização, déficit fiscal; existe todo um contexto que limita a atuação dos agentes de governança, já que a grande preocupação das empresas e, portanto, dos conselhos de quem dirige a governança nas empresas desses países, acaba sendo até mesmo a sobrevivência da organização. Isso toma boa parte da agenda.
Às vezes pensamos que talvez a situação de países menores seja mais fácil quando consideramos a América Latina. Na maioria deles, as dificuldades são as mesmas ou até mais graves do que a gente tem aqui no Brasil. A maioria dos institutos desses países são bem jovens e estão em um contexto em que a governança em seus mercados é muito menos conhecida e disseminada.
Quais são as ações previstas para o ano de 2026 tendo em vista as formas de atuação da rede?
Hoje nós prevemos melhorar a comunicação da própria rede; por mais que ainda não tenhamos resultados significativos, ela precisa ser conhecida para ter a sua relevância percebida por mais atores além dos membros da própria rede. E essa percepção por mais atores vai fazer com que fique mais fácil na hora de buscar parceiros inclusive financeiros, para que tenhamos recursos para realizar atividades em conjunto. Todos os institutos têm suas próprias atividades e orçamentos, mas a rede ainda não tem isso. Então, por isso, a comunicação é uma forma de conseguir também trazer mais visibilidade para, eventualmente, atrair tanto parceiros institucionais como financiadores e patrocinadores.
Para este ano, também trabalharemos em projetos de captação de recursos. Buscaremos levantar recursos específicos para serem utilizados em atividades da rede, que não dependam tanto mais de uma doação muito relevante do IBGC ou de nenhuma outra dessas outras organizações. Hoje nós não doamos nosso dinheiro. Hoje o IBGC doa tempo e atenção, que também têm custo para o instituto.
Ainda, está previsto um evento regional no segundo semestre. Queremos atrair tanto o público do Brasil como dos demais países. O evento será na Argentina e a ideia é ser presencial.