Chapter Zero Brazil lança coletânea inédita e debate transição de baixo carbono

Evento reúne especialistas para discutir governança climática e o papel dos conselhos na transição sustentável

  • 19/06/2026
  • Victoria Andrade
  • Chapter Zero Brazil

O Chapter Zero Brazil promoveu um encontro dedicado a impulsionar a agenda de governança climática e de natureza no país, reunindo profissionais da área para discutir desafios, oportunidades e caminhos para a incorporação desses temas nas agendas dos conselhos e nas estratégias corporativas.

Com o tema “Governança de Clima e Natureza: Princípios, Fundamentos e o Papel dos Conselhos de Administração”, o evento marcou o lançamento de uma coletânea de artigos voltada à disseminação e adoção, no Brasil, dos novos princípios e pilares desenvolvidos pelo Fórum Econômico Mundial e pela Chapter Zero Alliance.

A publicação reúne reflexões e referências práticas que têm como objetivo apoiar conselhos de administração e lideranças empresariais na integração das questões climáticas e da natureza à governança e aos modelos de negócio. “A agenda da governança climática e da natureza está em constante evolução. E o mesmo acontece com as ferramentas que apoiam os conselhos de administração nessa jornada.”, destacou Luiz Martha, diretor de Conhecimento e Impacto no IBGC, durante sua fala de abertura.

Ferramentas e fundamentos para a governança climática

A programação teve início com a apresentação do Directors’ Duties Navigator: Climate Risk and Sustainability Disclosures da Chapter Zero Alliance, conduzida por Ana Luci Grizzi, conselheira independente e consultora sênior. O documento global aborda os deveres fiduciários e as responsabilidades dos conselhos diante dos riscos e oportunidades relacionados ao clima e foi coorganizado pela Chapter Zero Alliance e pela Commonwealth Climate and Law Initiative (CCLI).

Na sequência, o painel sobre fundamentos para fortalecer a governança climática e da natureza contou com a participação de Jandaraci Araujo e Tomas Carmona, com moderação de Sandra Morales. O debate abordou a necessidade de ampliar a integração entre sustentabilidade, estratégia e governança corporativa.

Os participantes discutiram o papel das lideranças na construção de organizações mais resilientes, capazes de lidar com o tema de natureza. “Existe ainda uma barreira dentro das salas de conselho para que temas de natureza e clima possam ser tratados de uma forma central e estratégica. Há uma passividade muito grande” explicou Tomas.

O papel dos conselhos na transição para uma economia de baixo carbono

A segunda mesa do encontro aprofundou a discussão sobre os princípios que devem orientar a atuação dos conselhos de administração na agenda de clima e natureza.

O painel reuniu Denise Hills, José Pugas e Ricardo Young, sob moderação de Gabriela Blanchet. Entre os temas abordados estiveram os riscos financeiros associados às mudanças climáticas, as oportunidades de inovação e a necessidade de uma atuação mais ativa e estratégica por parte dos conselhos.

Denise Hills defende que a regulação vem organizando o movimento do mercado, não é fonte de inovação, muito menos de competência empresarial. “A responsabilidade do conselho é, efetivamente, olhar para esse cenário de materialidade. Temos vivido ‘distrações’ com os conflitos geopolíticos, guerras; mas a urgência climática não é negociável”, apontou.

José Pugas, por sua vez, alertou: “O risco climático não é um risco de longo prazo. É um risco imediato e de longa duração”.

Ricardo Young destacou que o princípio da transparência permite um diálogo aberto, franco e razoável e com os stakeholders. “Eles [os stakeholders] são como sensores ampliados dos movimentos do mercado que podem dar informações, trazer elementos antecipatórios para que a empresa desenhe melhor sua estratégia diante de todos esses riscos e desafios”, destacou.

Avanço na agenda de governança no Brasil

O evento se encerrou reforçando a importância de iniciativas colaborativas para acelerar a adoção de boas práticas no país. A atuação do Chapter Zero Brazil, em alinhamento com a Chapter Zero Alliance, foi destacada como um fator relevante para ampliar a conscientização e apoiar conselhos na jornada de transformação.

A coletânea lançada durante o encontro surge como um instrumento-chave nesse processo, oferecendo diretrizes e referências para organizações que buscam fortalecer sua governança diante dos desafios climáticos e ambientais.

Acesse as publicações:

Princípios orientadores para a governança climática e da natureza: aplicação no contexto brasileiro

Liderança do Conselho para Crescimento e Resiliência: Princípios Orientadores para a Governança Climática e da Natureza 

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