Conflitos geopolíticos podem gerar ‘policrise’ inédita, segundo Global Risks Report 2026

Fragmentação geopolítica, choques econômicos e tecnologia desregulada elevam riscos para empresas

  • 03/02/2026
  • Fernando Damasceno
  • Pelo Mundo

O “Global Risks Report 2026”, relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial anualmente, traz um alerta importante: o mundo está na iminência de uma “policrise”, cenário caracterizado pelo enfraquecimento do multilateralismo, por fragmentação geopolítica, tensões socioeconômicas e desafios tecnológicos acelerados.

Esse cenário, caso venha a se confirmar, trará consequências para os negócios em escala global. Segundo o relatório, que ouviu cerca de 1.300 especialistas e executivos de 116 países, 57% dos entrevistados anteveem um cenário turbulento para a próxima década.

“Estamos testemunhando a turbulência causada por guerras cinéticas [conflitos físicos, com força real envolvida], o emprego de armas econômicas para obter vantagem estratégica e a crescente fragmentação das sociedades. E, à medida que esses riscos imediatos se desenrolam, desafios de longo prazo, da aceleração tecnológica à degradação ambiental, continuam a gerar efeitos em cadeia em todos os sistemas”, diz o relatório. “Paralelamente, regras e instituições que há muito sustentam a estabilidade estão cada vez mais paralisadas ou ineficazes na gestão dessa turbulência”, complementa a publicação do Fórum Econômico Mundial.

Ainda de acordo com o relatório, estas são as principais tendências identificadas:

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Novas estratégias para as empresas

Para os líderes empresariais globais, o cenário exposto pelo relatório impõe um desafio: navegar em choques imediatos enquanto se preparam para disrupções estruturais. A combinação de fragmentação geoeconômica e tensões políticas eleva os custos operacionais, pressiona cadeias de suprimentos já frágeis e amplifica a incerteza regulatória. Empresas são forçadas a repensar estratégias de localização, diversificação de fornecedores e gestão de capital sob o risco de sanções repentinas ou turbulência monetária.

Ao antecipar as tendências para a próxima década, destaca-se a disrupção tecnológica inédita em termos históricos. O relatório sustenta que a difusão da IA e a corrida quântica gerarão ganhos de produtividade, mas também ameaçam modelos de negócios consolidados, demandam requalificação massiva da força de trabalho e introduzem vulnerabilidades cibernéticas sem precedentes.

Nesse cenário, um dos grandes dilemas corporativos consiste na defasagem em termos de inovação, ao mesmo tempo em que as empresas precisarão lidar com um cenário social fragilizado, com possíveis reações negativas da força de trabalho que será dispensada. A resiliência futura dependerá da capacidade de antecipar cenários, investir em habilidades adaptativas e do engajamento para construir novas normas globais, mesmo em um mundo fragmentado.

Clique aqui para acessar a íntegra do relatório (em inglês). 

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