O Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGVces) lançou a plataforma do Programa Brasileiro de Relato Empresarial para Adaptação à Mudança do Clima (PBRA) durante fórum realizado nos dias 5 e 6 de maio, em São Paulo. O encontro reuniu representantes do governo, empresas, organizações da sociedade civil e instituições de pesquisa para discutir os avanços da agenda de adaptação climática no ambiente corporativo brasileiro.
O objetivo da plataforma é apoiar e fortalecer a governança e atuação estratégica empresarial na gestão de riscos e oportunidades climáticas, promovendo uma cultura de transparência na agenda de adaptação à mudança do clima, saiba mais aqui. As empresas poderão registrar voluntariamente seus dados na plataforma digital, clique aqui para acessá-la.
Dentro da construção do PBRA, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) liderou o eixo de governança e estratégia nas oficinas colaborativas. A atuação foi conduzida por Carla Leal, representante do IBGC, market director for Latin America no CDP, e instrutora da instituição.
Durante o painel de lançamento da plataforma, Carla apresentou detalhes do processo de construção do eixo de governança e estratégia. Segundo ela, o trabalho começou com reuniões de alinhamento sobre objetivos, organização e entendimento conceitual da iniciativa.
Na sequência, os participantes foram divididos em três subgrupos temáticos. Carla coordenou o Pilar 1, voltado à governança e estratégia. O grupo reuniu cerca de 30 participantes, representando 21 organizações, ao longo de cinco reuniões técnicas. Ao todo, foram discutidos 95 tópicos relacionados à adaptação climática empresarial.
Entre os principais temas debatidos estiveram a integração entre planos de transição e planos de adaptação, a incorporação da cadeia de suprimentos e da cadeia de valor nas estratégias corporativas e a interlocução com stakeholders governamentais.
As discussões também abordaram a relação do programa com instrumentos regulatórios e de direcionamento da agenda climática brasileira, incluindo a taxonomia sustentável brasileira e o Plano Clima. Segundo Carla Leal, esse alinhamento é considerado estratégico para evitar sobreposição de exigências e reduzir retrabalho para as empresas na implementação de práticas de reporte e adaptação climática.
Carla destacou ainda que o processo foi estruturado para garantir colaboração multissetorial e troca de experiências entre empresas e instituições participantes. Segundo ela, as contribuições práticas das empresas ajudaram a avançar a agenda de adaptação de forma mais pragmática e aplicada à realidade corporativa.
Outro ponto ressaltado foi a convergência do PBRA com frameworks e referências já utilizados pelo mercado. A proposta é ampliar a integração entre modelos de reporte climático, governança e gestão de riscos, facilitando a adoção de práticas alinhadas às novas demandas regulatórias e de sustentabilidade corporativa.