Rotatividade global de CEOs atinge nível elevado em 2025, aponta relatório

Estudo indica maior frequência de trocas, mandatos mais curtos e desafios na sucessão

  • 12/05/2026
  • Mayara Sueza e Thais Domingues
  • Relações Institucionais e Governamentais

A rotatividade de CEOs no mundo atingiu um novo patamar em 2025. De acordo com o Global CEO Turnover Index Annual Report 2025, da Russell Reynolds Associates, 234 presidentes-executivos deixaram seus cargos no ano, um aumento de 16% em relação a 2024 e 21% acima da média dos últimos oito anos. O relatório caracteriza esse movimento como um nível elevado e recorrente dentro da governança corporativa global.

O estudo tem abrangência global e acompanha empresas listadas em grandes índices, como S&P 500 (Estados Unidos), FTSE 100 (Reino Unido), DAX (Alemanha), Nikkei 225 (Japão), Hang Seng (Hong Kong), NIFTY 50 (Índia) e STI (Singapura). O levantamento não apresenta recortes específicos para Brasil, B3 ou América do Sul.

Pressões sobre o cargo de CEO

Segundo o relatório, o ambiente de atuação dos CEOs permanece marcado por incerteza econômica e política, além de mudanças regulatórias e tensões geopolíticas. Esse contexto tem ampliado a complexidade do cargo e reduzido a margem para erros.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 registrou 59 saídas de CEOs em 2025, ante 58 em 2024. Embora a variação seja pequena, o nível se mantém elevado após um período já considerado alto.

O relatório também destaca o papel do ativismo de investidores. Dados citados do Barclays indicam que 32 CEOs deixaram seus cargos em até um ano após campanhas ativistas em 2025, acima dos 27 em 2024.

Mandatos mais curtos

O tempo médio de permanência no cargo segue em queda. Em 2025, a média global foi de 7,1 anos, abaixo de 7,4 anos em 2024 e 8,3 anos em 2021.

Outro dado relevante é o aumento de 79% no número de CEOs que deixaram o cargo entre 30 e 36 meses. O relatório associa esse movimento à antecipação de decisões por parte dos conselhos, que têm revisado expectativas de desempenho e prazos para entrega de resultados.

Nomeações de CEOs de primeira viagem

As empresas continuam priorizando executivos sem experiência prévia no cargo. Em 2025, 86% das nomeações globais foram de CEOs de primeira viagem, padrão observado de forma consistente desde 2018.

Segundo o estudo, esse comportamento reflete tanto a confiança no desenvolvimento interno de lideranças quanto a maior dificuldade de atrair CEOs experientes. No S&P 500, houve movimento distinto, com maior presença de executivos experientes, em parte associado à pressão de investidores ativistas.

Diversidade de gênero

O relatório aponta redução na participação feminina entre novos CEOs. Em 2025, mulheres representaram 9% das nomeações, abaixo dos 11% registrados em 2024.

O estudo relaciona esse resultado à menor presença de mulheres em cargos que tradicionalmente antecedem a posição de CEO, como diretor financeiro (CFO) e diretor de operações (COO).

Implicações para governança

O relatório indica que a sucessão de CEOs tende a exigir maior planejamento e acompanhamento contínuo por parte dos conselhos. Entre os pontos destacados estão a necessidade de desenvolver lideranças internas, definir critérios claros de desempenho e estruturar processos de sucessão com maior antecedência.

Embora não haja dados específicos para o Brasil, o estudo descreve tendências globais que podem ser observadas em diferentes mercados. Diante de um ambiente de maior volatilidade e exigência por resultados no curto prazo, os dados mostram que, a cada ano, a sucessão executiva se consolida como um tema estratégico nos conselhos de administração.

Acesse o estudo completo aqui.

Confira as últimas notícias do Blog IBGC