Nos dias 07 e 08 de outubro, São Paulo foi palco de um dos principais encontros de governança corporativa do país. O IBGC realizou seu tradicional congresso anual e recebeu mais de 1500 espectadores que acompanharam a programação do evento presencialmente e on-line.
Sob o tema “O ser humano na liderança da transformação”, a programação conectou neurociência, tecnologia, estratégia, ética e propósito, partindo da premissa de que, mesmo diante do avanço da inteligência artificial e de um cenário global cada vez mais complexo, as decisões continuam sendo responsabilidade das pessoas.
A velocidade da sua memória, a velocidade da IA
A neurocientista Heather Collins foi a keynote speaker e a primeira entre os painelistas a subir ao palco para contar à plateia como o funcionamento da mente pode conflitar com o uso exacerbado e pouco crítico da inteligência artificial. O debate se estendeu às pressões enfrentadas pelas lideranças, à saúde mental e à capacidade de decidir em ambientes marcados por mudanças aceleradas, incertezas e alta cobrança por resultados.
“Temos todas as informações que poderíamos desejar ao alcance das mãos, em um instante. Mas você, o ser humano, sempre será melhor em compreender o que está em jogo”, afirmou.
A inteligência artificial atravessou diferentes momentos da programação. Conselheiros e executivos discutiram confiança, cibersegurança, retorno sobre investimentos, inovação e responsabilização humana.
Collins mostrou que a tecnologia pode ampliar a eficiência e apoiar a análise de dados, mas também cria riscos que exigem supervisão, critérios éticos e estruturas de governança preparadas.
Brasil e mundo: como traduzimos nosso potencial em ação?
No campo da geopolítica, o evento abordou a fragmentação da ordem internacional e os impactos de guerras, disputas comerciais, rivalidades tecnológicas, segurança energética e mudanças nas cadeias de suprimentos.
Os debates sobre o lugar do Brasil no mundo ressaltaram que fatores geopolíticos precisam estar incorporados às análises de riscos, oportunidades, investimentos e estratégias das organizações.
Para Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group e palestrante no Congresso, “as empresas, cada vez mais, precisarão fazer planejamento estratégico considerando essas questões geopolíticas globais”. Ele afirmou, ainda, que compreender riscos relacionados a comércio, energia, segurança alimentar e disputas entre potências deixa de ser uma tarefa restrita aos governos e passa a integrar a agenda dos conselhos de administração e das lideranças empresariais.
O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Grupo Interesse Nacional, também integrou a programação e avaliou: o lugar do Brasil no mundo não será definido apenas pelas forças internacionais, mas pela capacidade do país, de suas empresas e lideranças de reconhecer seus interesses e agir para defendê-los.
Famílias empresárias e suas organizações centenárias
Casos de organizações centenárias mostraram como valores, adaptação e estruturas de governança podem contribuir para preservar o legado sem impedir a renovação dos negócios.
A programação também discutiu saúde e capital humano como fatores de desempenho, além de modelos organizacionais menos hierárquicos e capazes de aproximar as decisões de quem vivencia os desafios cotidianos.
Em comum, os debates mostraram que a boa governança precisa acompanhar as mudanças econômicas, sociais e tecnológicas sem renunciar à qualidade das decisões e da responsabilidade de quem as toma.
Ao reunir diferentes perspectivas sobre o presente e o futuro das organizações, o 27º Congresso IBGC reforçou uma mensagem central: a tecnologia transforma ferramentas e processos, a geopolítica redefine cenários. Mas são as pessoas que atribuem sentido às mudanças, fazem escolhas e respondem por seus impactos.
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