IBGC debateu finanças e governança em Fortaleza

Encontro mostrou como a governança pode apoiar famílias empresárias e negócios de pequeno e médio porte

  • 03/11/2026
  • Gabriele Alves
  • Eventos

“Sabemos que o Ceará é um lugar de grandes impérios, mas governança também é para o médio empresário.” A afirmação de Renata Santiago, coordenadora-geral do capítulo Ceará do IBGC, sintetizou uma das principais mensagens do Seminário de Governança e Finanças, realizado em 29 de julho, em Fortaleza.  

O encontro buscou ampliar a percepção de que a governança corporativa não se restringe às grandes companhias e pode contribuir para o desenvolvimento e a longevidade de pequenos e médios negócios. A discussão ganha relevância no Ceará, estado que, segundo dados do Sebrae, ocupa a segunda posição no Nordeste em abertura de pequenos negócios e está entre os dez primeiros do país. Ao mesmo tempo, o estado é berço de grandes empresas, como M. Dias Branco, Pague Menos e Hapvida.  

Para abordar a governança sob diferentes perspectivas, a programação foi dividida em três painéis: o primeiro reuniu integrantes da família empresária do Grupo Alyne Cosméticos; o segundo discutiu caminhos para a profissionalização da governança; e o terceiro abordou a relação entre governança e filantropia. 

Laços e negócios 

“Se você ainda não começou sua governança, comece. Governança não é algo engessado. No Grupo Alyne, quando começamos a entender o processo estruturado de governança, percebemos que já fazíamos isso sem saber. Só não dávamos esse nome. Depois, veio um marco na vida da família, que foi o divórcio dos meus pais. Mas nós, filhos, já estávamos bem inseridos e engajados no negócio. Eu não conhecia apenas as áreas administrativa e financeira, conhecia tudo na empresa. A gente consegue ter esse domínio do negócio como um todo. Meu pai, fundador, sempre fez muita questão disso. Não é um trabalho de castas, setorizado. É um trabalho de equipe de verdade. Já faz um tempo que não atuamos diretamente na operação, mas todos nós a conhecemos muito bem.” A afirmação é de Alyne Gurgel, diretora administrativo-financeira do Grupo Alyne Cosméticos, durante o painel “Governança da família empresária”.  

Ela participou da conversa ao lado dos irmãos Raul Gurgel e Adriana Gurgel e de Pedro Silva, sócio-líder de auditoria do escritório da KPMG em Fortaleza.  

O outro lado: os insucessos  

“O componente emocional na empresa familiar é muito forte. Mas temos um trabalho de reversão, de pensar a função social da empresa e os empregos que ela gera. Há muitos casos de insucesso também. Nem toda família consegue alcançar esse grau de reflexão sobre o negócio. Às vezes, o fundador se esquece das estruturas e há empresas que não conseguem virar a chave e transformar seu negócio ao longo do tempo. Há casos em que o fundador descobre que tem muitos herdeiros, mas nenhum sucessor. É preciso profissionalizar, porque não se pode permitir que os herdeiros assumam uma posição sem saber liderar. A governança funciona como uma linha-guia e nos permite trilhar caminhos. Não há uma única governança, não há uma única resposta. Mas só a governança salva as empresas.” A reflexão foi feita por Marcos Sampaio, conselheiro independente (IBGC CCA+) e instrutor de governança no IBGC. Ele dividiu o painel com Ricardo Cunha, CEO do Grupo Cunha Guedes, e Ênio Arêa Leão, conselheiro CCA+ e sócio da Arêa Leão Consultoria.  

Filantropia como ação estratégica nas empresas 

“O tema da filantropia ainda é tratado como ‘algo a mais’, alguma coisa que pessoas muito boas fazem. Eu acho uma pena, porque enxergamos a filantropia como uma ação estratégica. Colocar seu recurso a serviço de algo melhor e maior, que tenha um benefício plural, deveria estar na pauta de quem decide sobre seus recursos pessoais e corporativos. Se já entendemos que é importante olhar para a longevidade das empresas, precisamos também de uma sociedade saudável para que elas possam seguir existindo e recebendo investimentos. É possível fazer tudo isso, desde que se entenda qual é o objetivo e a responsabilidade dos negócios. A responsabilidade social já está presente na maioria das empresas. A filantropia é outro caminho”, refletiu Bia Fiuza, conselheira do GIFE e diretora institucional do Instituto de Música Jacques Klein.  

Também participaram da conversa Georgia Pessoa, sócia-diretora da Pupa Consultoria e consultora sênior do Movimento Bem Maior e do Instituto Mirante de Cultura e Arte do Ceará, e Tarcila Ursini, conselheira de administração do IBGC. 

Para saber mais sobre os eventos do instituto, acesse ibgc.org.br/eventos

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