Artigo trata sobre a evolução das organizações através de investimentos em inteligência artificial
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas uma discussão sobre avanço tecnológico para se tornar uma questão estratégica central para o futuro das organizações. Seu impacto alcança os modelos de negócio, as estruturas organizacionais, a cultura, a competitividade, a gestão de riscos e a geração de valor para a organização, seus parceiros e clientes. Nesse contexto, os Conselhos de Administração e Comitês de Inovação têm papel fundamental na orientação, supervisão e aceleração das ações necessárias às transformações daí decorrentes.
Foi com esse propósito que André Echeverria elaborou o Guia Consolidado de 5 Pilares propondo o acrônimo AGIRE (CulturA, Governança, Investimento, Roadmap e Estratégia), que remete à palavra “agir” em italiano, a partir da discussão de IA nos Conselhos, apresentada no evento do IBGC, em junho de 2026 sobre o tema, com a participação de mais de 180 Conselheiros Certificados, com conceituação, apresentação de casos por especialistas convidados e curadoria dos autores.
Para o uso responsável da IA nas organizações, diversos frameworks e checklists já foram propostos, entretanto, muitos Conselhos encontram dificuldade para apoiar, pragmaticamente, a implementação da IA. O que diferencia as organizações que avançam é a capacidade de transformar princípios em prática – de agir. É o espírito do acrônimo AGIRE:
Direcionamento Estratégico. A jornada de IA começa pela estratégia, não pela tecnologia – lição subestimada por Conselhos ansiosos por resultados rápidos. Não basta adotar ferramentas; é preciso responder a uma pergunta incômoda: em quais contextos a organização pretende gerar valor real – internamente e para seus clientes - com IA? Sem essa clareza, até os investimentos mais sofisticados se dispersam em pilotos que nunca escalam. Cabe ao Conselho exigir foco e olhar além das fronteiras do negócio, incluindo startups e mercados adjacentes.
Roadmap Integrado de IA e Dados Corporativos. Dados são a matéria-prima da IA, mas tratá-los como ativo apenas técnico é um erro estratégico grave. O Conselho deve supervisionar qualidade, segurança e uso responsável dos dados como faria com qualquer outro ativo crítico, evitando a fragmentação que compromete escala e governança.
“Projetos de IA não deveriam ser avaliados apenas pela tecnologia que entregam, mas pela mudança que produzem no negócio. Isso exige clareza sobre o problema, disciplina na execução e acompanhamento dos resultados desde o início.” — Durval Jacintho
Gestão de Investimentos e Portfólio de Iniciativas em IA. Tratar os investimentos em IA como portfólio estratégico, e não como projetos isolados, distingue organizações maduras das que navegam por tentativa e erro. A experimentação estruturada deve ser estimulada e protegida – com coragem tanto para escalar quanto para interromper o que não entrega valor. Cabe ao Conselho perguntar, com rigor, se essas escolhas realmente sustentam a estratégia.
Transformação Organizacional e Evolução da Cultura. A IA redesenha funções, processos e a própria natureza do trabalho, e nenhuma tecnologia avança mais rápido do que a cultura permite. A maior barreira à adoção raramente é técnica: é comportamental. Cabe ao Conselho, em parceria com a Liderança, provocar a reflexão sobre redesenhar modelos operacionais e ampliar a contribuição humana, estimulando requalificação contínua que estimule a evolução da cultura organizacional.
“Na minha experiência em transformação de negócios, tecnologia raramente é o principal desafio. O desafio está em transformar uma oportunidade tecnológica em mudança concreta no negócio, com prioridades, governança, investimento e pessoas preparadas para executar. Com IA, essa lógica ganha ainda mais velocidade.” — Alciomara Kukla
Governança e Ética em IA. Este é o pilar que sustenta os demais: sem governança, estratégia, dados, investimentos e cultura avançam fragmentados e vulneráveis. Não basta publicar uma política corporativa bem redigida; é preciso garantir que ética, privacidade, transparência, segurança e o uso de agentes autônomos estejam sob monitoramento ativo do Conselho. É a governança que garante accountability e assegura que a IA amplie capacidades humanas, e não o contrário.
Os 5 Pilares AGIRE não pretendem ser mais um framework de recomendações que já circulam sobre IA nos Conselhos. Seu valor está em lembrar que ação (agir) é a única força capaz de transformar princípios em resultado concreto, e que a governança, exercida com rigor e continuidade, garante que essa ação não seja isolada, mas parte de um sistema coerente de decisão. A governança da IA é hoje, condição essencial para a sustentabilidade, a prosperidade e a longevidade das organizações.
Este artigo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.