A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser um campo de experimentação para se tornar um dos principais vetores de transformação estratégica nas empresas. Não se trata apenas de adoção tecnológica, mas de uma redefinição de como os negócios operam, crescem e evoluem. Conselhos e CEOs já perceberam que a IA não é um projeto isolado e sim uma nova lógica operacional. Neste contexto, entre os membros do C-level, poucos papéis estão sendo tão profundamente redefinidos quanto de pessoas em posição de Chief Marketing Officer (CMO).
A função de CMO já vinha, na última década, incorporando competências analíticas para otimizar recursos e comprovar retorno sobre investimento. Com a IA, essa evolução e amplia radicalmente seu alcance, transformando CMOs em vetores para escalar inteligência em toda a organização e converter sinais de demanda em crescimento empresarial.
CEOs que compreendem essa mudança e incentivam seus líderes de marketing a experimentar, reimaginar, escalar e integrar IA ao negócio não apenas ganham eficiência operacional, mas também criam alavancas de crescimento sustentável e geração de valor para os acionistas.
Isso porque a IA permite decisões mais inteligentes, personalizadas, rápidas e integradas em toda a organização, impactando produto, precificação, experiência do cliente, cadeia de suprimentos e até planejamento financeiro. No entanto, viabilizar esse processo e consolidar sua adoção exige uma abordagem estratégica, estruturada e alinhada aos objetivos gerais do negócio.
Perguntas que CEOs devem se fazer
Para avaliar se os profissionais em posição de CMO estão preparados para esta nova era, recomendo que CEOs reflitam sobre 5 questões fundamentais:
• CMOs & CTOs conseguem trabalhar conjuntamente para construir e evoluir a espinha dorsal de IA e dados?
Em parceria com time de Dados & Tecnologia, CMOs devem mobilizar a organização para conectar sinais de mercado e transformar dados em decisões mais inteligentes que, não só impactam o marketing, mas também influenciam no desenvolvimento de produtos, cadeia de suprimentos, pricing e finanças, com base em sinais de demanda capturados em tempo real.
• CMOs dedicam a mesma energia ao desenvolvimento de pessoas quanto à construção de plataformas?
A companhia precisará requalificar generalistas, elevar a maturidade estratégica do time e redesenhar incentivos para integrar fluxos de trabalho entre humanos e agentes de IA. Essa transformação exige programas estruturados de treinamento e certificação, investimento consistente em aprendizado prático e incorporação de novos modos de trabalho.
• CMOs têm as habilidades para liderar a execução com profundidade?
Para ter CMOs eficazes é preciso entender em detalhes como os dados fluem pela organização, quais modelos estão sendo usados e como cada plataforma contribui para melhorar ROI e acelerar crescimento em tempo real.
• Estou preparado para dar respaldo total na quebra de silos?
CMOs não conseguirão romper silos operando dentro dos limites tradicionais do marketing em uma organização AI-first. É necessário o apoio incondicional de CEOs para alinhar o C-level em torno de uma visão mais integrada do futuro.
• CMOs conseguem transformar marketing em motor de crescimento sem comprometer a criatividade humana?
A IA personaliza, sumariza e otimiza. Mas não sente. Os CMOs AI-first entendem que tecnologia é amplificador, não substituto da criatividade. Ele garante que a produção criativa orientada por humanos continue sendo diferencial competitivo, mesmo em um ambiente cada vez mais orientado por dados. Escalar IA sem perder autenticidade é o equilíbrio que definirá os líderes diferenciados do mercado.
Com CMOs que priorizam IA atuando como orquestradores de crescimento, a empresa ganha capacidade superior de tomada de decisão, direciona investimentos com mais precisão e alinha as prioridades de marketing aos objetivos estratégicos do negócio. Isso transformará o marketing em um centro de expansão, criando uma vantagem competitiva duradoura baseada em dados proprietários, talento capacitado e colaboração entre funções, que concorrentes terão enorme dificuldade em replicar.
*Nádia Leão é diretora executiva e sócia do Boston Consulting Group (BCG). Com vasta experiência nos setores de beleza, bens de consumo, moda e luxo, é membro das práticas de Consumo; Marketing, Vendas e Precificação; Pessoas e Organização; e Vantagem Global