O IBGC promoveu na última sexta-feira, 22 de maio, o evento de lançamento da pesquisa “O conselho de administração e o contexto geopolítico: riscos e oportunidades na América Latina”, realizada em parceria com a consultoria Better Governance. O encontro reuniu especialistas para discutir como organizações vêm respondendo às transformações do cenário geopolítico global e aos impactos diretos nos negócios.
Na abertura, Luiz Martha, diretor de Conhecimento e Impacto, destacou a relevância crescente do tema. “Vemos que hoje as empresas estão cooperando em economias cada vez mais interdependentes e as mudanças geopolíticas impactam as decisões de investimentos, expansão e cadeias de suprimentos e isso tudo afeta diretamente o posicionamento estratégico das companhias”, afirmou.
A moderação ficou a cargo de Sandra Guerra, que conduziu o debate estimulando a análise crítica sobre o papel dos conselhos diante de crises, oportunidades e movimentos geopolíticos que vêm redesenhando o ambiente de negócios na América Latina.
Ao longo do evento, os palestrantes Anelise Lara, conselheira de administração da TotalEnergies e da Vale, e Miguel Morley, consultor em governança e estratégia, debateram os principais insights da publicação. O foco esteve nos desafios, percepções e caminhos para uma atuação mais estratégica em um ambiente internacional cada vez mais complexo.
Segundo Anelise, as crises geopolíticas estão muito mais aceleradas, mas o conselho ainda não dá a devida importância ao tema. “O conselho discute geopolítica, mas raramente decide a partir dela. Precisamos discutir estratégias para que os conselhos possam atuar de forma mais diligente nessa questão”, alertou.
Enormes, inesperadas e incertas: essas são as três características que Miguel Morley utiliza para definir as mudanças geopolíticas atuais. “Eu acredito que existe uma diferença na percepção de oportunidades e riscos entre os nossos países e isso se dá, talvez, devido ao processo que cada um sofre nesse contexto”, pontuou o consultor.
Insights da pesquisa
• Mais de 60% dos conselheiros e diretores reconhecem a relevância estratégica do tema;
• A ausência de processos estruturados de monitoramento é um dos pontos mais críticos da governança geopolítica;
• Tecnologias como inteligência artificial ainda não são amplamente percebidas como adequadas para análise geopolítica;
• A principal lacuna não está na percepção da relevância do tema, mas na capacidade de incorporá-la de forma consistente à governança e à tomada de decisão.
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aqui a pesquisa completa.