Conexão RJ debate governança como alavanca para desenvolvimento

Confiança, transparência e legado estiveram entre temas do encontro

  • 25/06/2026
  • Gabriele Alves
  • Eventos

A Casa Firjan, patrimônio histórico e cultural do estado do Rio de Janeiro, mantém vivas suas raízes ligadas ao desenvolvimento local. Na última terça-feira (23), recebeu o Conexão Governança Rio de Janeiro, do IBGC, reunindo cerca de 110 lideranças, entre associados e não associados do instituto. A linha-mestra do encontro foi uma só: a governança como alavanca para o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro. “A gente estruturou o evento tendo como base que uma governança corporativa melhor constrói uma sociedade melhor”, afirmou Leonardo Zylberman, coordenador-geral do Capítulo Rio de Janeiro e um dos responsáveis pela organização do evento.

Com a participação do BNDES e da Flowa Technologies, o primeiro painel, moderado por Isabela Saboya, conselheira da BrasilAgro, abordou as oportunidades para empresas acessarem o mercado de capitais em um momento em que a tecnologia se soma, mais do que nunca, às negociações de ativos. Renata Pimenta Tranjan (Flowa) e Marcelo Marcolino (BNDES) destacaram que aliar tecnologia, inovação brasileira e governança é fundamental para ingressar em um ambiente de investimentos, no qual a confiança é um valor essencial.

Bruno Kappler Lopes, governance officer da Axia, destacou que a confiança também é construída por meio das regras e estruturas promovidas pela governança corporativa. No segundo painel, ao compartilhar o caso da privatização da Axia Energia, antes estatal Eletrobras, explicou que um dos primeiros passos da nova gestão foi estabelecer regras claras para a tomada de decisões. Segundo ele, após a eleição do novo conselho de administração, a empresa realizou uma assembleia para definir sua composição como companhia privada e estruturou um roadmap executivo com os principais marcos de governança corporativa. O processo incluiu etapas de reestruturação, padronização, consolidação e preparação para o mercado, culminando na migração da Axia para o Novo Mercado. “Sem confiança, você não vai a lugar nenhum. É a confiança que cria reputação, atrai investidores com perfil de longo prazo e contribui para a retenção de talentos”, afirmou Bruno.

Negócios familiares: legado com futuro

Na terceira parte do evento, foi a vez de ouvir famílias empresárias que desenvolveram seus negócios no Rio de Janeiro. Subiram ao palco Renata Leta, conselheira da rede de Supermercados Zona Sul, e Felipe Mussalem, sócio-diretor da Casas Pedro. Com moderação de Vanessa Pina, integrante da coordenação do capítulo RJ do IBGC, o painel foi marcado pela troca de experiências sobre sucessão, profissionalização da gestão e preservação dos valores organizacionais.

Renata relembrou a trajetória empreendedora da família, iniciada pelos pais, imigrantes italianos que vendiam frutas e legumes em um caminhão de feira. Representante da segunda geração do negócio, destacou a evolução da estrutura de governança da empresa. “Hoje, nossa estrutura de governança é formada por um conselho consultivo, um conselho de família e uma assembleia de acionistas.” Ela também ressaltou sua atuação nas áreas de marketing e e-commerce e defendeu a necessidade de equilibrar tradição e inovação. “É preciso honrar o legado sem deixar de olhar para o futuro”, afirmou.

Representando a Casas Pedro, Felipe Mussalem compartilhou os desafios de liderar uma organização com 70 lojas no estado do Rio de Janeiro. De origem árabe, o negócio, que começou com alguns armazéns de secos e molhados, emprega hoje cerca de 1.800 colaboradores. Segundo ele, um dos principais diferenciais da empresa está na valorização das pessoas e na construção de uma cultura organizacional forte. “Temos uma cultura de dono muito forte. Fazemos pelas pessoas mais simples aquilo que muitas vezes o Estado não conseguiu fazer. A Casas Pedro tem uma gestão muito profissional e uma cultura bastante horizontalizada. Aqui dizemos ‘nós’, não ‘vocês’. Antes, era um desafio equilibrar governança e lado familiar. Hoje, é a governança que protege minha família, protege meus filhos e faz com que tenhamos indicadores e cultura”, destacou.

Governança no mercado de resseguros

O evento foi encerrado com a participação de Marcos Falcão, CEO do IRB(Re), empresa que atua no mercado de resseguros, segmento responsável por oferecer cobertura às seguradoras. Ao lado de Carlos Infante, sócio da Inca Participações, Falcão falou sobre o processo de reestruturação da governança pelo qual o IRB(Re) passou nos últimos anos e compartilhou sua visão para o futuro. “O que aprendemos é que é inaceitável ter a regra e não obedecê-la. A regra não pode existir apenas para inglês ver”, afirmou, ao se referir aos instrumentos e às políticas de governança da companhia. “Gosto muito da frase do CEO do JPMorgan que sintetiza o seguinte: o futuro é gente”, concluiu.

Membros do conselho de administração e do comitê executivo do IBGC também acompanharam parte do evento. A abertura foi conduzida por Antônio Bizzo, presidente do conselho de administração, e Valeria Café, diretora-geral do IBGC.

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