Estudos apontam avanço global das exigências de divulgação climática

OCDE e S&P Global demonstram evolução na adoção de normas de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade

  • 23/06/2026
  • Beatriz Gouveia e Letícia Madeira
  • Panorama Regulatório

A transparência e a divulgação de informações climáticas seguem entre os principais temas da agenda regulatória internacional para o mercado financeiro. Nesse contexto, a OCDE publicou, em 9 de junho, o relatório OECD Review on Aligning Finance with Climate Goals 2026, que analisa como governos, reguladores e participantes do mercado financeiro estão incorporando questões climáticas a marcos regulatórios, políticas públicas e instrumentos financeiros. 

A publicação oferece um panorama global sobre iniciativas relacionadas à transparência corporativa, gestão de riscos climáticos, financiamento sustentável e integração de fatores ambientais às decisões de investimento e à supervisão financeira. 

Entre os principais aspectos abordados, o relatório destaca o avanço de políticas voltadas à divulgação de informações relacionadas ao clima, refletindo uma tendência internacional de ampliação da transparência e de padronização das informações divulgadas por organizações e instituições financeiras. 

Segundo o estudo, desde 2000, formuladores de políticas em 111 países e instituições da União Europeia adotaram mais de 860 políticas financeiras relacionadas ao clima, com crescimento superior a 25% entre 2023 e 2025. Desse total, 78% estão relacionadas a medidas de transparência e divulgação de informações climáticas, evidenciando o papel central da disponibilização de informações para o direcionamento de fluxos de capital e para o alinhamento do sistema financeiro aos objetivos climáticos. 

O relatório também aponta que a obrigatoriedade de divulgação de informações climáticas já está presente em diversas jurisdições relevantes, incluindo União Europeia, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Hong Kong e Japão. 

Esses desdobramentos são abordados no relatório trimestral da S&P Global Where does the world stand on ISSB adoption?, que demonstra a evolução da aplicação dos padrões ISSB, IFRS S1 e S2, em cada jurisdição, contemplando suas variações em relação a cronogramas faseados, escopo de aplicação e até mesmo a criação de padrões próprios, como no caso do Reino Unido, Coreia do Sul e União Europeia.   

O cenário divulgado pelo estudo da S&P também indica avanço na adoção dessas normas, destacando que 28 jurisdições implementaram os padrões IFRS até abril de 2026. Dentre essas, Austrália, Chile, Costa Rica, Hong Kong, Malásia, México, Paquistão, Qatar, Sri Lanka, Tanzânia, Turquia, Zâmbia e Zimbábue já iniciaram requisitos obrigatórios para empresas.  

Embora o Brasil também figure na lista, movimentos regulatórios recentes, como a Resolução 244 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que revoga a obrigatoriedade de divulgação informações financeiras relacionadas à sustentabilidade prevista para 2026, sugerem um possível reposicionamento do país quanto à implementação mandatória dos padrões IFRS.

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