Questionar certezas é caminho no uso de IA

Reflexão marcou a 9ª edição do Seminário de Finanças e Governança Corporativa do IBGC, em Curitiba, na última terça-feira

  • 30/07/2026
  • Gabriele Alves
  • Eventos

Ainda não há segurança suficiente sobre os impactos da IA e, diante da rápida evolução da tecnologia, é essencial reavaliar cenários periodicamente, questionar certezas e reconhecer a vulnerabilidade das organizações. Essa foi uma das conclusões do 9º Seminário de Finanças e Governança Corporativa, promovido pelo IBGC em parceria com o IBEF Paraná, na última terça-feira (29), em Curitiba. O foco na ocasião era um só: debater como os conselheiros e executivos podem se preparar melhor para a realidade que já atravessa suas organizações - o uso ético e estratégico de inteligência artificial. 

O primeiro debate do dia promoveu uma reflexão sobre o que se espera dos conselhos em relação ao tema em um futuro próximo, com o foco na gestão de riscos. Rodrigo Helcer, empreendedor e board advisor em Tech/IA, comparou o avanço da inteligência artificial com o surgimento da aviação. Segundo ele, da mesma forma que o avião revolucionou a mobilidade e exigiu a criação de mecanismos para gerenciar riscos inéditos, com a IA será igual. “Quando surgiu o avião, surgiu a gestão de risco de quedas de avião. Com a IA é a mesma coisa. Ela surge para resolver muitos problemas, mas traz outros”. 
 
Sobre as implicações desse uso, Simone Agra, membro do conselho de administração do IBGC, enfatizou que deixar de utilizar inteligência artificial também representa um risco para as organizações. Ela destacou que a adoção responsável da tecnologia requer mecanismos robustos de governança, como proteção de dados, controles internos, indicadores e dashboards capazes de monitorar aspectos estratégicos. “Não acho que a IA vai substituir os conselheiros. Mas o conselheiro que sabe usar IA vai substituir aquele que não usa e que só sabe olhar para a visão de curto prazo”, aconselhou. 
 
Valeria Café, moderadora do painel, concluiu que a inteligência artificial abre inúmeras oportunidades para as empresas, mas também amplia a exposição a novos riscos. “Cabe às organizações desenvolverem estruturas de governança capazes de acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas”, finalizou. 

Na sequência, foi a vez de Felipe Guterres Ramella, vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores da Copel, discutir como a evolução da governança corporativa foi determinante para fortalecer a credibilidade da companhia junto ao mercado em um cenário de uso da IA. Ele destacou que a migração da Copel para o Novo Mercado, da B3, foi resultado de um processo mais amplo de transformação. “Governança gera confiança e ela foi determinante para alcançarmos o Novo Mercado”, contou Felipe. 

E a nova dinâmica empresarial? 

“É saber que precisamos fazer alguma coisa, sem sabermos direito o que precisa ser feito”, destacou a conselheira Andrea Menezes durante o painel que tratou sobre a nova dinâmica empresarial diante do uso da inteligência artificial. 

Olga Colpo, que preside o conselho do Banco BMG e é conselheira no IBGC, descreveu no mesmo painel que ainda não há segurança suficiente sobre os impactos da IA e que, diante da rápida evolução da tecnologia, é essencial reavaliar cenários periodicamente, questionar certezas e reconhecer a vulnerabilidade das organizações. Aos presentes, ela listou desafios e papeis dos conselheiros, entre eles a responsabilidade por decisões algorítmicas e a supervisão do risco no uso de IA. “Errar é possível, mas errar sozinho é proibido", aconselhou. 

Com moderação de Celso Tacla, vice-presidente executivo da Valmet América Latina, o debate ainda trouxe a perspectiva sobre a formação de futuras gerações. Andrea reforçou que a IA deve ser compreendida como uma ferramenta, e não como uma estratégia em si. Segundo ela, a IA passa a fazer parte do dia a dia de trabalho dos executivos, mas não necessariamente surge junto a uma política de tratamento de dados. “Tenho ouvido que as ferramentas de IA já estão exercendo a função de especialistas nas organizações. Mas isso é um erro. Como vamos preparar as futuras gerações se elas não passarão pelo processo de aprendizagem humano, que é aprender com o erro?”, provocou. 

A programação foi encerrada com o debate entre Fabio Napoli Martins, conselheiro da Ibemapar e membro da família fundadora da companhia, Marcos Perillo, conselheiro independente da empresa, e André Caldeira, sócio fundador e CEO do Grupo Proposito. O foco do debate foi a governança corporativa na trajetória da empresa de controle familiar, que possui mais de 70 anos de atuação no Paraná nos segmentos de papel, energia e agronegócio. 
 
Mais sobre o seminário 

O evento ocorre anualmente no estado do Paraná, organizado pelo IBGC com a parceria do IBEF. “O seminário já é reconhecidamente o maior evento de finanças e de governança do Paraná, então temos muito orgulho desse evento com a casa cheia e participação de painelistas ícones da sua área de atuação. Acompanhamos com isso o amadurecimento da governança aqui no Paraná; IBEF e IBGC juntos se tornam duas comunidades super fortes que se complementam, se integram e que crescem juntos”, compartilhou Carlos Peres, presidente do IBEF – PR, em entrevista ao Blog IBGC ao longo do evento.  

 

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